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Meia-idade sem fatores de risco pode adiar a demência em até 13 anos, aponta estudo

Hipertensão, diabetes e cigarro: um novo estudo com mais de 12 mil pessoas revela como esses fatores aceleram o declínio cognitivo na velhice.

Pesquisa acompanhou mais de 12 mil pessoas ao longo de 26 anos e reforça que o controle da pressão alta, do diabetes e do tabagismo é fundamental para preservar a saúde cerebral.

A busca por qualidade de vida na velhice e o combate ao declínio cognitivo ganharam novas evidências científicas. Um estudo de longa duração, que acompanhou 12 mil pessoas ao longo de 26 anos, revelou que chegar aos 55 anos sem três importantes fatores de risco — pressão alta, diabetes e tabagismo — pode garantir, em média, mais de 30 anos de vida livres de demência.

Em contrapartida, indivíduos que apresentavam os três fatores combinados na meia-idade registraram uma média de apenas 17 anos sem a condição — uma diferença significativa de 13 anos a mais de saúde cerebral para quem manteve os indicadores sob controle.

O desafio do diagnóstico no Brasil

A demência não se trata de uma única doença, mas sim de um conjunto de sintomas que afeta a memória, o raciocínio e a autonomia no dia a dia, tendo a Doença de Alzheimer como sua principal causa.

No Brasil, estima-se que quase 3 milhões de pessoas vivam com algum tipo de demência. No entanto, a subnotificação ainda é alarmante: mais de 80% dos casos não são diagnosticados. Segundo especialistas do ambulatório de neurologia do Hospital São Paulo (Unifesp), muitas famílias ainda encaram falhas de memória e perda de independência como um processo “normal do envelhecimento”, o que atrasa a busca por acompanhamento médico adequado.

Quais são os marcadores de alerta?

O estudo ressalta a importância de monitorar e tratar preventivamente as condições que afetam o sistema vascular e neurológico:

  • Hipertensão arterial: Considerada de risco quando atinge ou ultrapassa 14×9.
  • Diabetes: Diagnosticada quando a glicemia em jejum ultrapassa 126 mg/dL.
  • Pré-diabetes: Fase de alerta em que a glicose começa a subir, mas ainda pode ser revertida com mudanças consistentes no estilo de vida.
  • Tabagismo: O uso do tabaco acelera processos inflamatórios e danos vasculares no cérebro.

Novas frentes de pesquisa: Vacinas e imunização

Além do controle de hábitos, cientistas investigam o impacto da imunização na saúde neurológica. Pesquisas recentes sugerem uma possível correlação entre a vacina contra o herpes zóster e a redução no risco de desenvolvimento de demência, indicando cerca de 20% menos casos entre pessoas vacinadas. Embora os estudos ainda estejam em andamento para avaliar se a vacina poderá ser recomendada especificamente como intervenção preventiva, os resultados trazem otimismo à comunidade médica.

Além da medicina: Empatia e combate à invisibilidade

Familiares e cuidadores reforçam que lidar com a demência exige também uma mudança na percepção social. O diagnóstico não deve ser encarado como um fim da utilidade do indivíduo dentro do lar, mas sim como um chamado para o acolhimento, a preservação da dignidade e a busca contínua por qualidade de vida para o paciente e sua rede de apoio.

fonte – Revista Neurology (Academy of Neurology).

Publicação-Lucia Alves- colunismo social/ jornalismo
Vice presidente do Conselho de Inclusão Da Abime Brasil (Ass. Brasileira e Internacional de Midia Eletrônica)
instagram @impactocultural_revista-

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