Cavalos percebem o medo humano pelo cheiro e mudam de comportamento, indica estudo

Um novo estudo publicado em janeiro na revista científica PLOS One trouxe uma descoberta que reforça o quanto os cavalos são sensíveis ao comportamento humano: eles são capazes de perceber, apenas pelo olfato, quando uma pessoa está com medo — e isso muda completamente a forma como reagem a ela. A pesquisa foi conduzida pela pesquisadora francesa Plotine Jardat e sua equipe do Instituto Francês de Equitação, e vai além de estudos anteriores que já haviam demonstrado que os equinos reagem a expressões faciais e ao tom de voz das pessoas.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas recrutaram voluntários que usaram compressas de algodão nas axilas em dois momentos distintos: primeiro assistindo a cenas alegres, como números musicais de filmes clássicos, para gerar um suor associado a emoções positivas, e depois assistindo a trechos de um filme de terror para induzir o medo e coletar o suor correspondente. Amostras neutras, sem associação emocional, também foram coletadas como grupo de controle. Os cavalos participantes foram então expostos a esses diferentes odores por meio de focinheiras especiais equipadas com as compressas.

Os resultados mostraram diferenças comportamentais e fisiológicas nítidas. Os animais que cheiraram o suor associado ao medo ficaram mais alertas, tocaram e interagiram menos com os pesquisadores durante a escovação, reagiram de forma mais intensa a sustos repentinos — como a abertura inesperada de um guarda-chuva — e demonstraram mais cautela diante de objetos desconhecidos, além de registrar aumento na frequência cardíaca, um indicador clássico de estresse. O mais notável é que essas reações ocorreram sem nenhum sinal visual ou vocal de medo por parte dos humanos: o odor, sozinho, já foi suficiente para provocar a mudança de comportamento.

A equipe de pesquisa ainda não sabe ao certo a origem dessa sensibilidade tão apurada, que pode estar relacionada à longa história de domesticação da espécie ou ser uma característica sensorial inata, presente em diversos mamíferos. Na prática, porém, a descoberta traz uma lição valiosa para quem convive ou trabalha com cavalos, especialmente relevante em uma região como o Alto Tietê, onde atividades de hipismo e equoterapia fazem parte da rotina de vários municípios: o estado emocional de quem se aproxima do animal pode influenciar diretamente a qualidade da interação, mesmo quando a pessoa tenta disfarçar o nervosismo. Chegar calmo perto do cavalo, segundo a pesquisa, favorece um vínculo mais tranquilo e seguro entre humano e animal.
Publicação-Lucia Alves- colunismo social/ jornalismo
Vice presidente do Conselho de Inclusão Da Abime Brasil (Ass. Brasileira e Internacional de Midia Eletrônica)
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