8 em cada 10 jovens se sentiram solitários no último ano — e a culpa pode ser do seu feed

Quantos dos seus “seguidores” sabem como você está de verdade?
Você tem centenas de seguidores, manda mensagem o dia todo, assiste stories antes mesmo de levantar da cama — e ainda assim sente que falta algo. Que as conexões são rasas. Que ninguém realmente te conhece.
Se isso soa familiar, você não está sozinho. Ironicamente.

Um estudo da empresa de análise de consumo GWI revelou o dado que ninguém quer ouvir: 8 em cada 10 jovens da Geração Z vivenciaram solidão no último ano. Quase 20% disseram que se sentem assim com frequência. A geração mais conectada da história é, paradoxalmente, a mais solitária de todas.
A ilusão da conexão
Vamos entender o que está acontecendo.
Redes sociais foram projetadas para imitar conexão humana — curtidas funcionam como aprovação social, comentários como conversa, seguidores como popularidade. O cérebro não diferencia muito bem um like
de um elogio real. Lá no fundo, ele libera um pouquinho de dopamina e pede mais.
O problema é que isso não preenche o que a solidão de verdade cobra: presença, escuta genuína, vulnerabilidade, risco emocional real.
Você pode passar quatro horas rolando o feed e sair com a sensação de que “não fez nada”. Porque, de certa forma, não fez. Consumiu. Mas não se conectou.

Os números do Brasil em 2026
O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, pesquisa com 1.500 brasileiros, trouxe outro dado revelador:
71% dos jovens de 16 a 24 anos sentem infelicidade ao consumir conteúdo nas redes sociais. E 77% comparam suas vidas com o que veem nos filtros dos outros — gerando insegurança crônica.
Na outra ponta, os idosos acima de 60 anos são os mais felizes: 95% de satisfação com a vida. Não por
acaso, são exatamente as pessoas que construíram redes de apoio reais ao longo de décadas — sem algoritmo nenhum.
O que a ciência diz sobre o antídoto
Pesquisadores de comportamento apontam para o mesmo caminho: reduzir o tempo de tela e retomar hábitos analógicos.
Não se trata de abandonar o celular para sempre. Trata-se de equilibrar. Ler um livro. Cozinhar com alguém.
Ir a um evento presencial. Ter uma conversa sem o telefone na mesa.
A Geração Z que está saindo na frente é justamente a que está escolhendo comunidades menores e encontros reais como forma de resistência ao isolamento digital. Grupos de leitura, coletivos de dança, times de corrida, festividades populares — tudo isso voltou a ganhar valor porque preenche o que o feed nunca vai conseguir.
E aqui pertinho de você?
Na nossa região, eventos como festas populares, feiras de artesanato, apresentações culturais e celebrações comunitárias reúnem milhares de pessoas e criam exatamente o tipo de conexão real que o feed nunca vai conseguir
reproduzir. Não é coincidência que esse tipo de evento continue crescendo num mundo cada vez mais digital.
A solidão tem antídoto. E ele geralmente mora a poucos quilômetros de casa.
3 perguntas para refletir hoje
- Quando foi a última vez que você teve uma conversa de mais de 30 minutos sem olhar para o celular?
- Quantos dos seus “seguidores” sabem como você está de verdade?
- Existe um evento, grupo ou espaço presencial que você tem adiado frequentar?
Fontes: GWI Consumer Research 2025; Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 (Renata Rivetti); American Psychological Association — Tendências 2026.





