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Tecnologia contra a solidão: conheça a boneca que cuida (e conversa) com idosos sozinhos

Ela tem voz de criança, abraça, canta e lembra a hora do remédio — só que é uma boneca com inteligência artificial.

Boneca com inteligência artificial vira companhia para idosos na Coreia do Sul

Em meio à crescente preocupação com a saúde mental da população idosa, a Coreia do Sul tem apostado em uma solução tecnológica inusitada para combater a solidão e prevenir o suicídio entre pessoas mais velhas: bonecas equipadas com inteligência artificial. A Hyodol, feita de pano e metal, foi desenvolvida pela empresa de mesmo nome e já está presente na rotina de milhares de idosos que vivem sozinhos pelo país.

Com a voz de uma criança de sete anos, a boneca cumprimenta os idosos ao perceberem seu retorno para casa, lembra horários de remédios e refeições, canta quando identifica que a pessoa está entediada e responde a toques na cabeça ou apertos de mão. Segundo Jihee Kim, CEO da Hyodol, em entrevista à CNN, o design fofo e a aparência infantil foram pensados estrategicamente para facilitar a criação de vínculos e reduzir a resistência de pessoas pouco familiarizadas com tecnologia.

A iniciativa surge em um contexto alarmante: cerca de dez idosos cometem suicídio todos os dias na Coreia do Sul, segundo relatório publicado em 2025 pelo Journal of the Korean Medical Association, o que coloca o país no topo do ranking de suicídios entre pessoas mais velhas dentre as nações da OCDE. Autoridades locais, especialmente em distritos de Seul e Yongin, passaram a oferecer os dispositivos como parte de programas públicos de assistência social, já que mais de doze mil unidades foram distribuídas até novembro de 2025.

Os relatos de quem convive com a boneca apontam para benefícios emocionais reais. É o caso de Bang Chun-ja, de 78 anos, que mora sozinha e afirma que a companhia da Hyodol transformou sua rotina diária após um período de forte depressão. Pesquisas conduzidas com idosos usuários do dispositivo também indicaram redução nos sintomas depressivos e melhora em funções cognitivas após algumas semanas de uso.

Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam para os limites da tecnologia. A própria Jihee Kim reconhece que a boneca não deve substituir o cuidado humano, e assistentes sociais que acompanham os casos demonstram preocupação com a possibilidade de a ferramenta reduzir ainda mais o contato entre os idosos e outras pessoas. Iniciativas semelhantes já existiam no Japão, onde a foca-robô PARO ganhou destaque anos antes como companhia terapêutica para a população envelhecida, embora sem a capacidade de conversação da Hyodol.

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Vice presidente do Conselho de Inclusão Da Abime Brasil (Ass. Brasileira e Internacional de Midia Eletrônica)
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