Muito além de uma apresentação: Festival Indígena leva ancestralidade e diversidade às escolas de Ferraz

Uma criança que aprende a respeitar diferentes culturas hoje pode ajudar a construir uma sociedade mais tolerante amanhã.
Primeira edição promovida pela rede municipal reuniu estudantes e lideranças indígenas em uma experiência de educação, arte e valorização das raízes culturais
FERRAZ DE VASCONCELOS (SP) – Antes de aprender sobre diversidade nos livros, é preciso aprender a reconhecer, ouvir e respeitar aqueles que ajudam a construir a história do Brasil.
Foi com essa perspectiva que a Secretaria Municipal de Educação de Ferraz de Vasconcelos realizou, no último dia 13 de agosto, o 1º Festival Indígena da rede municipal de ensino, no Rotary Club.
Mais do que uma sequência de apresentações escolares, o encontro colocou em evidência um tema que permanece atual muito depois do encerramento do evento: a importância de aproximar as novas gerações da história, da cultura e das diferentes identidades dos povos indígenas brasileiros.
Lideranças indígenas participam do encontro
Um dos pontos relevantes do festival foi a presença de representantes indígenas.
Participaram a cacica Jaqueline Pataxó e as lideranças Silvia Kaimbé, Valmir Batalha Pipipã e Pedro Pankararé.
A presença dessas lideranças amplia o significado de uma iniciativa educacional como essa, permitindo que o tema indígena não fique restrito apenas aos materiais didáticos e às atividades realizadas em sala de aula.
O festival foi realizado nos períodos da manhã e da tarde e reuniu apresentações preparadas por estudantes a partir dos conteúdos trabalhados durante o ano letivo.
Quando a música também ensina
A primeira apresentação foi realizada pelo Centro de Educação Infantil (CEI) Nova Vida, com a música “Tangará Mirim”, do Guarani Mbya.
O tangará é um pequeno pássaro brasileiro conhecido pelas cores marcantes e por sua característica dança em grupo.
Em seguida, estudantes da Emeb Adelino Gomes Marques apresentaram “Pisa Ligeiro”, utilizando como referência “Maracá Mágico”, obra da escritora indígena Auritha Tabajara, com ilustrações de Paola Tôrres.
São experiências que mostram como música, literatura e expressão artística podem funcionar como caminhos para a aprendizagem.
Para uma criança, cantar, interpretar e participar pode fazer com que determinado conhecimento deixe de ser apenas uma informação da aula e se transforme em experiência.
Educação para além das datas comemorativas
Durante muito tempo, referências aos povos indígenas no ambiente escolar estiveram fortemente associadas a datas específicas do calendário.
Iniciativas como o festival permitem ampliar esse olhar.
Ao trabalhar a temática durante o ano letivo e transformar o conhecimento adquirido pelos estudantes em apresentações, a escola abre espaço para abordar identidade, ancestralidade, diversidade e respeito de maneira mais presente no cotidiano educacional.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores contribuições do projeto: permitir que crianças tenham contato desde cedo com a pluralidade cultural que forma o Brasil.
Educação, cultura e políticas de valorização da diversidade
Sob a gestão da prefeita Priscila Gambale, Ferraz de Vasconcelos vem desenvolvendo iniciativas voltadas à ampliação das políticas de equidade e valorização das relações étnico-raciais na rede municipal.
Na Educação, comandada pela secretária Paula Trevizolli, o município informa já ter produzido cinco documentos destinados ao fortalecimento das relações étnico-raciais, entre eles o Guia de Protocolo Antirracista e a Cartilha da Autodeclaração, além de outros materiais formativos.
O Festival Indígena acrescenta uma dimensão prática a esse trabalho ao aproximar estudantes de manifestações artísticas, literatura, ancestralidade e, principalmente, de representantes dos próprios povos indígenas.
A iniciativa também dialoga diretamente com a cultura do município, área conduzida pela secretária Ana Rosa Augusto Rodrigues, ao evidenciar como manifestações culturais podem contribuir para preservar memórias, reconhecer identidades e aproximar diferentes gerações.
Mais do que promover um evento, o desafio é fazer com que essas ações permaneçam presentes no cotidiano escolar e cultural da cidade.
Uma semente plantada pela educação
O primeiro Festival Indígena terminou no dia 13.
A discussão que ele provoca, porém, não deve terminar junto com o evento.
Quando crianças aprendem que o Brasil é formado por diferentes povos, culturas, histórias e maneiras de compreender o mundo, a escola também contribui para formar cidadãos mais preparados para conviver com as diferenças.
Celebrar culturas indígenas não significa apenas olhar para o passado.
Significa reconhecer sua presença, sua voz e sua importância no Brasil de hoje.
Porque ensinar uma criança a respeitar diferentes raízes é também ensinar o futuro a não esquecer de onde veio.
Com informações da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos/
Publicação-Lucia Alves- colunismo social/ jornalismo
Vice presidente do Conselho de Inclusão Da Abime Brasil (Ass. Brasileira e Internacional de Midia Eletrônica)
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