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Após caso Rodrigo, proposta prevê prisão para quem registra violência e não socorre

Eu poderia começar esse artigo com estatísticas.
Com números frios.
Com parágrafos jurídicos.

Mas a verdade é que nenhuma lei começa no papel.

Ela começa num grito.


O dia em que o celular virou cúmplice

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Era uma cena que você já viu.

Um empurra.
Um grito.
Um círculo se formando.

E no lugar de mãos estendidas…
braços erguidos segurando celulares.

Rodrigo Castanheira virou mais um nome numa manchete.
Mas antes disso, ele era alguém.
Tinha história. Tinha família. Tinha planos para o fim de semana.

E enquanto a agressão acontecia, havia pessoas ali.

Não faltavam testemunhas.

Faltava socorro.


A geração que grava tudo… menos a própria omissão

Vivemos na era do “deixa eu filmar isso”.

A briga vira conteúdo.
A dor vira engajamento.
A tragédia vira story.

Plim! Notificação.
Mais um vídeo viral.

Mas e a vida que se foi?

Existe algo perverso quando a câmera substitui a consciência.
Quando o botão de gravar pesa mais que a responsabilidade de agir.

É duro dizer. Mas é necessário:
Em alguns casos, o celular não é só espectador. Ele é cúmplice silencioso.


O projeto de lei: punição para quem filma e não ajuda

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Diante do caso, surgiu um projeto de lei que propõe prisão para quem registra agressões sem prestar socorro.

Polêmico? Sim.
Necessário? Muitos acreditam que também.

A proposta não é sobre proibir gravações.
É sobre lembrar que antes de sermos produtores de conteúdo… somos cidadãos.

A pergunta que ecoa nos corredores de Brasília não é jurídica.
É moral:

Se você pode ajudar… por que não ajudou?

O conflito que ninguém quer admitir

Existe medo.
Existe insegurança.
Existe o instinto de autopreservação.

Mas existe também a indiferença.

E essa dói mais.

Porque não estamos falando de heróis enfrentando vilões.
Estamos falando de gente comum que escolheu assistir.

A sociedade que normaliza a plateia da violência começa a banalizar a própria vida.

Hoje é “um vídeo forte”.

Amanhã pode ser você no chão.

Rodrigo não é uma hashtag

Rodrigo Castanheira não é algoritmo.
Não é número.
Não é trend.

É símbolo.

Símbolo de uma pergunta que atravessa a nossa geração:

Quando foi que a tela ficou mais importante que a vida?

Não se trata apenas de uma nova lei.

Trata-se de um espelho.

E talvez o que mais doa não seja o que aconteceu naquela agressão…
mas o reflexo que ela revela sobre todos nós.

Porque no fim das contas,
a violência começa na mão de quem agride —
mas se fortalece no silêncio de quem assiste.

Publicação-@portalnoticiasdiarias -instagram-Lucia Alves- jornalismo- colunista social- Vice presidente do Conselho de Inclusão Da Abime Brasil (Ass. Brasileira e Internacional de Midia Eletrônica) instagram @impactocultural_revista

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